21/05/2024
Introdução às abelhas
As abelhas são insetos fascinantes que fazem parte da ordem Hymenoptera, a mesma família que inclui as vespas e as formigas. Estas pequenas espécies são compostas por duas asas membranosas, uma característica que lhes dá o nome (do grego “hymen” = membrana e “ptera” = asas). Acredita-se que as abelhas modernas evoluíram de antigos ancestrais das vespas, passando de predadores a polinizadores essenciais para o ecossistema.

No mundo, existem mais de 20 mil espécies de abelhas, e em Portugal conhecemos cerca de 750 espécies diferentes – um número que pode crescer com novas descobertas.
Dentro do género Apis, encontramos nove espécies de abelhas produtoras de mel (abelhas melíferas ou “honey bees”, em inglês) sendo a mais famosa a abelha-europeia (Apis mellifera). Esta espécie, originária da Europa, é a principal responsável pelo mel que consumimos. Crê-se que a domesticação desta abelha tenha começado há milhares de anos atrás, no antigo Egito, onde o mel era usado em rituais religiosos, como ingrediente medicinal e alimento.
Atualmente, existem 33 subespécies* distintas de abelhas melíferas, distribuídas por África (11), Europa (13), Ásia Ocidental e Médio Oriente (9). Em Portugal, a subespécie predominante é a Apis melífera subespécie iberiensis.
* Classificação abaixo da espécie, usada para populações que vivem em áreas diferentes e variam em tamanho, forma ou outras características físicas (morfologia), mas que se podem reproduzir com sucesso.
Características e Ciclo de Vida
Estas abelhas sociais, são reconhecíveis pelo seu tom acastanhado com riscas amarelas no abdómen, por serem cobertas de pelo e por viverem em colmeias dominadas por uma rainha. Além da rainha, a colmeia abriga abelhas operárias, que não se reproduzem e que são responsáveis por recolher o pólen, e os zangões (abelhas macho), de maiores dimensões, que surgem apenas no final da primavera e início do verão para fecundar a rainha. Curiosamente, os zangões não possuem ferrão, ao contrário das fêmeas.
O ciclo de vida das abelhas é fascinante. As larvas eclodem dos ovos ao fim de três dias e, dependendo do tipo de alimentação que lhes é fornecida, transformam-se em abelhas rainha ou operárias, ou em zangões, no caso de ovos não fecundados.
Outras espécies de abelhas
Nem todas as espécies das abelhas vivem em colmeias, têm ferrão ou são acastanhadas e, para além disso, grande parte são solitárias. Em Portugal, temos por exemplo o abelhão-azul (Xylocopa violacea), que faz ninho em troncos em decomposição, a abelha-solitária (Lasioglossum malachurum), que nidifica no solo e as abelhas-da-lama (Megachile sp.), que constroem os seus ninhos em muros ou madeira em decomposição. Já as abelhas sem ferrão, pertencem ao género Melipona.
Importância das abelhas para nós e para os ecossistemas
As abelhas são vitais para a biodiversidade e para a nossa alimentação. Para além de produzirem o mel que consumimos, as abelhas desempenham um papel crucial na polinização das plantas. Proteger as abelhas significa proteger o futuro do nosso planeta. Valorizar e cuidar destes incríveis insetos é essencial para a sustentabilidade e a saúde dos ecossistemas.

Como polinizadores, desempenham um papel fundamental no ecossistema através do desenvolvimento de novas plantas. Ao voarem de flor em flor, à procura de néctar, as abelhas, transferem o pólen, que fica agarrado nas patas e no seu corpo, para outras flores. Este processo não só contribui para a produção de alimentos, mas também na manutenção das florestas e da biodiversidade. Sem as abelhas, as plantas iriam enfrentar muitas dificuldades para se reproduzir, o que levaria a um declínio vertiginoso na biodiversidade vegetal.
A saúde dos ecossistemas depende diretamente da atividade polinizadora das abelhas, que garantem a continuidade de inúmeras espécies de plantas e do alimento que muitos dos animais dependem, incluindo o ser humano.
Embora as abelhas sejam os polinizadores mais conhecidos, não são as únicas espécies a fazê-lo: borboletas, escaravelhos, moscas, morcegos e até pássaros contribuem para a polinização.
O papel do Homem
Contudo, as abelhas (e outros polinizadores) têm vindo a desaparecer ao longo dos anos por ação humana. Proteger os habitats naturais e adotar práticas de jardinagem sustentáveis são passos importantes para assegurar que todos os polinizadores possam continuar a desempenhar o seu papel vital. Plantar uma variedade de flores que florescem em diferentes épocas do ano e evitar o uso de pesticidas são algumas das formas de ajudar e fazer a diferença. O recomendado é optar por plantas que ofereçam néctar e pólen em abundância, como as plantas aromáticas, e que sejam autóctones da região. Em Portugal, o aconselhado é optar por plantas como manjericão, lavanda, tomilho, orégãos, girassol, erva-cidreira, funcho, entre outras, que, para além de atraírem os polinizadores para os nossos jardins, também lhes dão um belo toque perfumado. Outra opção passa por construir hotéis para insetos (existem várias opções por onde escolher, com vários formatos, tamanhos, cores), que serve como local de abrigo, reprodução ou até mesmo de hibernação para os insetos.

Reconhecer o papel importante das abelhas e de outros polinizadores é fundamental. As abelhas não só embelezam os nossos jardins com a sua atividade incessante, mas está comprovado que a polinização realizada pelas abelhas pode aumentar o rendimento de outras culturas até 30%!
Ao cuidar dos nossos jardins com práticas amigas dos polinizadores, estamos a contribuir para a saúde do ecossistema e para a prosperidade da sociedade. Proteger as abelhas é, portanto, uma missão de todos nós para garantir um futuro sustentável e florido.
Eliana Sales e Diogo Almeida
